Em janeiro de 2026, os embarques de grãos brasileiros abriram o ano com forte performance no mercado internacional, puxados por uma safra abundante, mas ainda assim limitaram-se por uma demanda interna aquecida que reduziu o excedente disponível para exportação.

Segundo dados apresentados no quadro Agroexport, os embarques de soja em grão cresceram 80% na comparação com janeiro de 2025, com o país exportando cerca de 1,87 milhão de toneladas no mês — em contraste com 1 milhão de toneladas no mesmo período do ano anterior. Apesar desse avanço expressivo, o volume não foi o maior da história para o mês de janeiro, superado por embarques maiores registrados em 2022 e especialmente em 2024.

Esse desempenho reflete uma safra brasileira estimada em cerca de 170 milhões de toneladas, que expandiu a oferta exportável. No entanto, parte relevante dessa produção foi absorvida pelo mercado interno, em especial pela indústria de biodiesel, que tem aumentado o uso de soja como insumo no país — com a adoção de misturas mais altas, como B15 no diesel — além da forte demanda por farelo de soja, que também se mantém aquecida após recordes de exportação no ano anterior.

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Milho também avança, mas sem recorde

Os embarques de milho também registraram alta em janeiro de 2026: 4,24 milhões de toneladas foram exportadas, número 18% superior aos 3,6 milhões de toneladas embarcados em janeiro de 2025. Assim como na soja, esse volume representou um crescimento relevante, mas ficou abaixo dos maiores volumes históricos para o mês.

A forte demanda interna por milho, especialmente impulsionada pela produção de etanol de milho em estados como Mato Grosso, foi apontada como principal fator que limita um volume ainda mais elevado de exportações. Estimativas indicam que entre 30 milhões e 35 milhões de toneladas do cereal podem ser consumidas pela indústria de etanol ao longo de 2026, reduzindo o excedente disponível para embarque.

Cenário de mercado e desafios

O cenário geral indica um forte nível de liquidez tanto para a soja quanto para o milho, com mercados interno e externo ativos no início de 2026. No entanto, especialistas alertam que esse nível de liquidez não se traduz automaticamente em maior rentabilidade para os produtores rurais, uma vez que os custos de produção seguem elevados — incluindo fertilizantes, defensivos agrícolas e logística — pressionando as margens no campo.

Essa dinâmica reflete a posição do Brasil como um dos maiores exportadores globais de grãos, em um contexto em que o agronegócio nacional busca conciliar a forte demanda interna com a competitividade nos mercados internacionais.

FONTE/CRÉDITOS: Canal Rural