Na manhã desta quarta-feira (17), a Polícia Federal (PF) prendeu preventivamente o diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Caio Mário Trivellato Seabra Filho, além do ex-diretor da PF e atual diretor de Administração e Finanças do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o delegado da PF Rodrigo de Melo Teixeira. A informação foi confirmada pela Agência Brasil. A PF disse que não comenta sobre alvos específicos em operações. A Gazeta do Povo tenta contato com a defesa dos presos. O espaço segue aberto às manifestações.

Ambas as prisões fazem parte da Operação Rejeito, deflagrada pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela PF, que aprofundou investigação sobre possíveis fraudes no processo de autorização para a exploração de minério de ferro em Minas Gerais. Além das prisões – ao todo foram emitidos mais de 20 mandados de detenção, os agentes federais cumprem 79 mandados de busca e apreensão.

Segundo o governo federal, Trivellato, advogado especializado em direito ambiental, integrou a ANM de 2020 a 2022 como assessor de Resolução de Conflitos, e desde 2023 era diretor interino da agência. Teixeira, por sua vez, ingressou na PF em 1999 e teve destaque em várias funções de liderança, incluindo a Superintendência em Minas Gerais e a Diretoria de Polícia Administrativa. Ele também exerceu cargos na Prefeitura de Belo Horizonte e no governo de Minas Gerais.

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Por ordem da Justiça Federal, os investigados que ocupam cargos públicos serão afastados cautelarmente de suas funções. Eles devem responder por crimes ambientais, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução de investigações. A PF aponta que os envolvidos fraudavam licenças ambientais para extrair minério de ferro de áreas protegidas, colocando em risco o meio ambiente e a segurança das populações locais.

Os investigadores também alegam que o grupo criminoso corrompia servidores de diversos órgãos responsáveis pela fiscalização e controle ambiental, como a ANM, para garantir a continuidade de suas atividades ilícitas. Estima-se que o esquema tenha gerado um lucro de R$ 1,5 bilhão, valor equivalente ao bloqueio das contas bancárias dos investigados determinado pela Justiça Federal.

Em resposta à operação, a ANM não mencionou o diretor e declarou que tomou conhecimento das ações da PF pela imprensa e ainda não recebeu notificação oficial sobre as medidas que precisa adotar. A agência afirmou que, sempre que formalmente solicitada, colaborará com as autoridades. O SGB também se manifestou, destacando que não comenta sobre processos em andamento, mas reiterou “seu compromisso com a ética, legalidade e transparência”.

Qual era o papel do diretor da ANM no esquema, segundo a PF

Segundo as investigações, Caio Mário Seabra, diretor da ANM, integraria uma suposta organização criminosa no setor de mineração. O grupo é suspeito de fraudar licenças ambientais em troca de propina paga a agentes públicos, tanto federais quanto estaduais, para viabilizar a extração ilegal de minério de ferro.

Caio Seabra teria atuado diretamente para garantir a liberação de autorizações fraudulentas, beneficiando empresas de mineração em áreas críticas e próximas a unidades de preservação, com alto risco de danos ambientais.

A investigação, iniciada em 2020, apura a atuação de mais de 40 empresas e aponta que o grupo criminoso corrompeu servidores públicos da ANM, do IPHAN, da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (FEAM) e de outros órgãos reguladores. Caio Seabra e outros investigados, incluindo empresários do ramo, são suspeitos de utilizar tráfico de influência, fraudes documentais e lavagem de dinheiro para operar impunemente e ampliar os negócios ilegais. A PF também cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em diversas cidades de Minas Gerais.

FONTE/CRÉDITOS: Juliet Manfrin; Gazeta do Povo