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Terça-feira, 09 de Dezembro de 2025
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Deputado apresenta projeto para barrar poder de polícia da Funai

POLÍTICA

Center News
Por Center News
Deputado apresenta projeto para barrar poder de polícia da Funai
Foto: Divulgação
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O deputado federal Nicoletti (União-RR) apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para sustar os efeitos do Decreto nº 12.373, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O decreto concede poder de polícia à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), medida que, segundo o parlamentar, ultrapassa as competências do Poder Executivo e fere a Constituição.

De acordo com o governo, o "poder de polícia da Funai tem como finalidade a prevenção e a dissuasão da violação ou da ameaça de violação a direitos dos povos indígenas; a prevenção e a dissuasão da ocupação ilegal de terceiros em terras indígenas; e a execução do consentimento de polícia, nos casos previstos em lei".

Para Nicoletti, a decisão do governo federal cria, sem aprovação legislativa, uma espécie de "polícia indígena" dentro da Funai, concedendo à instituição atribuições que deveriam ser exclusivas das forças de segurança pública. "Estamos diante de uma grave afronta ao ordenamento jurídico nacional, pois a segurança pública é atribuição das forças policiais legalmente constituídas, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, além do trabalho das Forças Armadas na defesa nacional", afirmou o deputado.

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O parlamentar alerta ainda que o decreto pode comprometer direitos constitucionais ao permitir que essa "polícia indígena" restrinja o acesso de pessoas e interdite bens, inclusive em propriedades privadas, com base apenas em portarias de restrição de uso. "Isso representa uma afronta ao direito à propriedade privada, um dos pilares do nosso Estado Democrático de Direito", destacou Nicoletti.

Outro ponto de preocupação levantado pelo deputado é a concessão de poderes à Funai para apreender e destruir bens particulares, lacrar instalações e expedir notificações de medidas cautelares contra aqueles que supostamente atentem contra o "conhecimento tradicional" dos povos indígenas. Para ele, tais prerrogativas são excessivas e podem levar a abusos. "Essas medidas são arbitrárias e abrem margem para graves abusos de autoridade", criticou.

Nicoletti defende que a segurança em terras indígenas deve permanecer sob responsabilidade das instituições legalmente constituídas, como as Forças Armadas, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. "Não podemos permitir que o governo federal crie um novo aparato policial sem qualquer respaldo legal. Esse decreto é uma afronta direta à Constituição e ao direito de propriedade dos brasileiros”, concluiu.

Por se tratar de uma proposta legislativa, o decreto só poderá ser suspenso após aprovação do projeto na Câmara e no Senado.

 

Decreto atende pedido do STF

Em março do ano passado, o ministro Luís Roberto Barroso havia definido que a União teria o prazo de 180 dias para fazer a regulamentação sobre o poder de polícia da Funai.

O governo pediu mais 60 dias ao fim do prazo, mas o ministro do STF negou e estabeleceu a data de 31 de janeiro deste ano.

Entre as ações da Funai, o decreto permite, em caso de risco iminente aos direitos dos povos indígenas:

interditar ou restringir o acesso de terceiros a terras indígenas por prazo determinado;

determinar a retirada compulsória;

solicitar a colaboração de órgãos e entidades públicas de controle e repressão; e

realizar, de forma excepcional, a destruição, inutilização ou destinação de bens utilizados na prática de infração.

A Funai também poderá solicitar aos órgãos de segurança pública, especialmente à Polícia Federal, às Forças Armadas e às forças auxiliares, a cooperação necessária à proteção das comunidades indígenas, da sua integridade física e moral e do seu patrimônio, quando as atividades necessárias a essa proteção forem próprias da competência dos órgãos de segurança pública.

Para implementar o decreto, a Funai prevê a publicação de normativas internas que detalharão os fluxos e procedimentos a serem adotados. A Funai prevê ainda a realização de capacitação aos servidores.

FONTE/CRÉDITOS: Gazeta do Povo
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