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Guedes diz que é preciso praticar democracia responsavelmente

G1  / 

26 de Novembro de 2019 as 20:16

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira (26), em Washington, que o Brasil vive uma "democracia vibrante" e que não vê problemas com manifestações públicas pacíficas, mas que uma democracia “tem os dois lados” e ela deve ser praticada "responsavelmente".

 

Eu acho que a gente deveria praticar democracia responsavelmente. Se você dirige o país seis, sete vezes e você não muda o modelo... Do que você está reclamando? Você sabe como funciona a democracia? Espere até a próxima eleição e aí faça as mudanças que você quer. Não tem que quebrar a cidade toda.

 

A afirmação de Guedes nesta terça foi durante palestra, em inglês, no Peterson Institute for International Economics.

 

Na segunda-feira, também em Washington (EUA), o ministro havia dito a jornalistas para não se assustarem caso alguém peça o AI-5 diante de "quebradeira" nas ruas. Em seguida, disse que a democracia brasileira não admitiria um ato de repressão.

 

O Ato Institucional número 5, decretado pela ditadura militar em 1968, fechou o Congresso Nacional, cassou as liberdades individuais e endureceu definitivamente o regime. Guedes reagiu aos discursos de Lula, que tem criticado a política econômica da atual gestão e tem chamado o ministro da Economia de "destruidor de empregos".

 

O ministro reagiu irritado, na segunda-feira, com perguntas de repórteres sobre manifestações populares em países vizinhos, como Equador, Chile e Bolívia, contra reformas econômicas e sobre se tinha medo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a política econômica do governo Bolsonaro.

 

"Não se assustem se alguém pedir o AI-5"

 

Nesta terça, Guedes afirmou que é “inteiramente compreensível” as pessoas irem às ruas na América Latina para reclamar de maneira pacífica e que “não há problema com manifestações públicas”.

 

Guedes afirmou ainda que protestos que causam quebradeira "assustam investidores". "Não acho que seja inteligente nem para a oposição, eu acho que é muito estúpido porque você esta empobrecendo seu próprio povo".

 

O ministro se disse “muito preocupado com as pessoas que não estão nas ruas na Venezuela”. "As democracias são barulhentas. Eu estou preocupado com quem não está na rua, como na Venezuela", afirmou.

 

"O que você vê, parte é totalmente razoável, as pessoas vão para a rua para reivindicar coisas. Democracias são barulhentas. Nós respeitamos e valorizamos a liberdade. As pessoas têm o direito de ir para as ruas pacificamente, fazer barulho, reclamar, dizer coisas, palavras de ordem, o que seja. Não tem problema manifestação pública. Claro, os políticos fazem seus cálculos, se perguntam se devem continuar com as reformas", continuou ele.

 

Guedes também disse que o Brasil vive uma "democracia vibrante". "Estamos transformando o estado brasileiro. É um trabalho doloroso... muito duro. O que se ouve no exterior é que é uma bagunça, é uma convulsão social. E eu sempre digo: não preste atenção. [O Brasil] é uma democracia vibrante, com poderes independentes". Segundo o ministro, a democracia brasileira "nunca foi tão forte". "Nunca foi tão poderosa, vibrante, cooperativa", disse.

 

Reações de Bolsonaro, Maia e Toffoli

De manhã, na portaria do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro foi questionado sobre a declaração de Guedes na véspera. Um repórter perguntou: "O ministro Paulo Guedes disse para não se assustar se alguém pedir um novo AI-5". O presidente respondeu: "Eu falo de AI-38. Quer falar de AI-38? Falo agora contigo. AI-38 é o meu número, pô".

 

No início da noite, porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, foi questionado duas vezes sobre o tema durante o briefing diário com jornalistas.

 

Na primeira vez, Rêgo Barros disse: "De fato, o presidente não expôs nenhum comentário. Elaborou que o ministro Paulo Guedes fez esse comentário no contexto de uma coletiva de imprensa. Portanto, essa é uma questão de caráter pessoal e deve ser dirigida ao próprio ministro. Como ele já se manifestou após o evento, o assunto é considerado já comentado".

 

Na segunda vez, afirmou: "O presidente vê o AI-5 como um evento histórico. E a partir daí, comentários que possam ensejar no contexto próximo do presidente, ou mesmo no contexto distante, devem ser considerados sob aspecto pessoal".

 

A fala sobre AI-5 também gerou reações de autoridades como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do STF, Dias Toffoli. Questionado pela imprensa nesta terça se havia falado com o presidente a respeito de suas declarações, Guedes não quis comentar.











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