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Em Cuiabá, ministro do STF diz que população confunde vingança e justiça

Folha Max  / 

08 de Novembro de 2019 as 20:38

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, fez uma análise da radicalização política e institucional que atravessa o Brasil nos últimos anos. Em sua avaliação, a maior “responsável” por criar no imaginário da sociedade a concepção de grupos políticos inimigos, por todo o país, é a imprensa.

 

Gilmar Mendes conversou com jornalistas na tarde desta sexta-feira (8) no Hospital Municipal de Cuiabá “Dr. Leony Palma de Carvalho”. Durante a visita à unidade de saúde, Mendes esteve acompanhando do prefeito da Capital de Mato Grosso, Emanuel Pinheiro (MDB).

 

O ministro comentava a decisão do plenário do STF na última quinta-feira (7), que estabeleceu que condenados pela Justiça só podem ser presos após o trânsito em julgado do processo (ou o fim da possibilidade de interposição de recursos judiciais). O beneficiado mais famoso com a medida é o ex-presidente Lula, que já saiu da prisão nesta mesma sexta-feira. O debate sobre o caso, e a oposição política ao grupo que ocupa o Poder hoje no Brasil, encabeçado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), vem gerando intensas discussões no país – não raro, também agressivas.  

 

“Eu tenho a impressão que todos nós de alguma forma, por omissão, ou ação, contribuímos para isso. De alguma forma deixamos isso acontecer. Eu tenho dito sempre que eu deploro a situação a que chegou o país em termos de radicalismo e polarização. Isso foi obra da imprensa. A imprensa demonizou determinadas pessoas e beneficiou outros. Estimulou esse tipo de prática”, criticou ele.

 

Gilmar Mendes completou sua crítica ponderando que “todos” devem fazer uma autocrítica e classificou a decisão plenária do STF como um fato “normal” do cotidiano da sociedade.

“É o momento, e essas manifestações radicais, ajudam que agente clame a todos uma autocrítica. Onde nós erramos? O que nós fizemos de errado? As decisões da justiça se cumprem. Temos que respeitar o sistema de divisão de poderes. A mim [liberdade de Lula] me parece que isso será recebido com normalidade. Novidade hoje. Amanhã ele estará em casa e a vida segue normalmente. A política é feita de diálogo. E eu vejo isso com absoluta normalidade”, ponderou o ministro.

Sobre as críticas recebidas pelo Supremo por mudar a decisão da prisão após condenação em 2ª instância, ele considerou "normal". Segundo ele, a população só passa a entender de fato o que é a Justiça, quando é diretamente atingida e hoje o grande pensamento é "vingança". "Quando um parente nosso é preso, a gente não fala mal de quem concede habeas corpus", disse.

 

MEDO DA IMPRENSA

O ministro do STF também fez uma confissão ao comentar sobre um recurso interposto pela defesa do ex-presidente Lula em 2018 – que tentava evitar sua prisão após o esgotamento de todos os recursos possíveis ainda no âmbito da 2ª instância do Poder Judiciário.

 

Segundo ele o caso é “constrangedor” para a justiça tendo em vista que o referido recurso foi interposto primeiramente no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no ano passado, mas foi julgado apenas este ano. Na avaliação de Gilmar Mendes, Lula já poderia ter sido "mandado para a casa antes" e que o Poder Judiciário só não o fez por "medo" da imprensa.

 

“O caso do Lula é um caso constrangedor para a Justiça. Esse recurso chegou ao STJ em 2018, este ano ele foi decidido. Inicialmente o relator indeferiu o pedido. E reduziu a pena dele. Já poderia ter mandado ele para a casa antes. Veja a mídia opressiva faz com que o Tribunal tenha medo”.











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